Elísio Estanque
Este é um espaço de divulgação de textos académicos e de opinião crítica sobre a realidade social e política.
Domingo, 5 de Maio de 2013
Classe Média? Portugal e Brasil em contramão...
"Em Portugal, a “classe-média-que-não-chegou-a-ser” está se desfazendo no ar. Dito de outro modo, os segmentos da classe trabalhadora dos serviços e da administração pública – que chegaram a adotar comportamentos e subjetividades típicas do velho ethos da classe média – foram confrontados nos últimos dois anos com a violência da crise que lhes mostrou a dura realidade de uma condição, afinal, mais precária, instável e carenciada do que se imaginara a si própria. Daí resultou uma espécie de despertar desses setores para a ação coletiva, como se tem visto nas fortes manifestações desde 2011. Vem ocorrendo uma reproletarização da classe média assalariada, com as consequentes implicações políticas, estimulando alianças com outros segmentos da classe trabalhadora na construção de uma nova rebeldia e (talvez) de um novo sujeito da transformação social. No Brasil temos uma “imaginária-classe-média-que-vive-do-trabalho” (Antunes, 1995), ainda pouco qualificada, que exorbita os seus consumos precários submetida pela miragem discursiva da midia e do poder vigente, para satisfação de credores e alguns agiotas ligados ao mundo da finança e do crédito. Um segmento da classe trabalhadora que, sendo atomizado e individualizado pelo consumismo, torna-se politicamente inofensivo e indiferente à ação coletiva, a não ser que no futuro próximo o desenvolvimentismo brasileiro consiga conciliar o aumento do poder de compra desse setor com a consolidação das suas qualificações, a eficácia do Estado de direito e o reforço da cidadania social. Só nesse caso poderá ocorrer um efetivo reforço da classe média brasileira." (último paragrafo; capítulo de livro em publicação no Brasil)
Sábado, 12 de Janeiro de 2013
Caros e caras amigos/as,
Para quem visita este blogue, merece saber que na próxima semana iniciarei uma nova experiencia que durará ate janeiro de 2014.
Trata-se de um ano de sabática que irei passar no Brasil, na UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas, junto dos meus colegas e amigos que tratam e estudam matérias afins (trabalho, sindicalismo, desigualdades, movimentos sociais e os temas sociais e económicos em geral), e onde certamente serei muito bem acolhido.
Conto ao longo deste período realizar alguns projetos lá, em conjunto com esses colegas e -- paralelamente -- é minha intenção preparar um livro relacionado com as desigualdades e classes médias, onde espero tratar comparativamente realidades tão distintas como a portuguesa e brasileira.
Ao mesmo tempo, faz parte do programa desenvolver contactos e realizar palestras e conferencias em várias outras universidades e instituições brasileiras e noutros paises latino-americanos.
Certamente não perderei de vista a situação que se vive (e se vai viver) em Portugal e na Europa. Mas estou curioso por verificar até que ponto o estar noutro continente e mergulhado num contexto bem diferente poderá influenciar a minha perspetiva sobre o meu país e os problemas que enfrenta.
O ângulo de visão sempre nos oferece um "retrato" particular de cada paisagem. E o afastamente-proximidade poderá ajudar a ganhar uma outra objetividade.
Seja como for estarei atento e espero, mesmo à distancia, estar presente!
Continuarei a dar noticias.
Ate breve.
Segunda-feira, 5 de Novembro de 2012
Segunda-feira, 29 de Outubro de 2012
Debate RDP-Antena 1, 29/10/2012, sobre Orçamento do Estado 2013
http://www.rtp.pt/antena1/index.php?t=Debate-sobre-Orcamento-do-Estado-para-2013.rtp&article=5719&visual=11&tm=17&headline=13
Terça-feira, 23 de Outubro de 2012
Segunda-feira, 1 de Outubro de 2012
O papel do sindicalismo na crise e a greve geral
(... e dos comentários no Facebook)
Acredito que serão as circunstâncias concretas que ajudarão a que os trabalhadores (e desempregados e reformados) se mobilizem, independentemente das correntes sindicais onde se inserem e dos alinhamentos ideológicos de cada um. Será isso suficiente para levar os dirigentes a reconhecer que a "unidade na ação" não é sinónimo de "estaremos unidos quando a união
Acredito que serão as circunstâncias concretas que ajudarão a que os trabalhadores (e desempregados e reformados) se mobilizem, independentemente das correntes sindicais onde se inserem e dos alinhamentos ideológicos de cada um. Será isso suficiente para levar os dirigentes a reconhecer que a "unidade na ação" não é sinónimo de "estaremos unidos quando a união
se fizer
na base do NOSSO programa (ou estratégia política)" mas faz-se, sim, na
base de objetivos concretos? E quando a luta é tão abrangente e tem um
sentido político (como atualmente), esses objetivos, se pretendem
envolver amplos e diversos sectores profissionais, devem ser previamente
negociados e consensualizados entre as estruturas dirigentes. Se uma
greve geral for convocada por ambas as centrais (CGTP e UGT) terá um
efeito muito maior do que se for apenas uma decisão da CGTP. Deixemo-nos
de concorrência entre trabalhadores ou entre correntes sindicais, num
momento em que mais do que nunca é preciso UNIÃO. Concertem-se,
proponham soluções e medidas concretas, proponham um PACTO aos
empresários assente na defesa da dignidade e de direitos essenciais dos
assalariados, mas também assente na viabilidade das empresas, que
premeie as empresas onde as boas práticas, as convenções coletivas e o
diálogo sejam efetivos. Trabalhadores e empresários têm um ponto em
comum: a defesa da empresa e a distribuição equilibrada dos dividendos. O
campo sindical é hoje demasiado importante para ser pensado fora da
sociedade e do sistema político. Que o sindicalismo português não está
bem, todos o sabemos. Mas é preciso que os dirigentes percebam que o
sindicalismo português pode beneficiar com a crise para se renovar e
REUNIFICAR, na base da pluralidade e da autonomia e democracia internas!
E o recado é tanto para a UGT como para a CGTP.
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